4 de dez. de 2009
Alagamentos se intensificaram neste ano
Por Rodney Silva
Um cenário desolador, causado pelas chuvas de novembro no Estado, foi o que encontramos na última visita à Vila Brás. Águas apodrecendo a madeira das casas, embolorando móveis e trazendo doenças.
Na Rua 13 conversamos com Armando Policena, 73 anos, que descreveu a noite em um dos temporais que atingiu sua casa. “Eu e minha família não dormimos. Ficamos com medo que as águas tomassem conta de tudo. Quando vimos que a coisa estava piorando, fomos para a casa de amigos”, contou.
Mesmo depois de alguns dias após as chuvas, as águas continuavam ocupando grande parte do pátio do seu Armando.
O aposentado salientou neste ano é que as enchentes começaram a piorar na Vila Brás. “Esses alagamentos não aconteciam antes. Acho que é por causa das obras do Trensurb”, disse.
Na verdade, os diques de São Leopoldo estão velhos demais para suportar o grande volume das águas.
26 de nov. de 2009
Casas são invadidas pela água na Vila Brás
Policena tentou salvar os móveis que conseguiu e foi se abrigar na casa de parentes. Mesmo assim, acabou perdendo dois sofás e o assoalho da sua casa ficou completamente danificado. O morador critica a falta de providências por parte da prefeitura “Os políticos só sabem vir aqui na Vila pedir votos na época das eleições. Estamos cansados de escutar promessas e nada ser resolvido”, diz.
Assim como ele, outros moradores procuraram os repórteres do Enfoque para falar sobre a enchente.
Segundo notícias já publicadas em outros posts, a prefeitura esteve limpando o local e vai consertar as bombas estragadas. É o que todos nós esperamos.
10 de nov. de 2009
Um olhar meigo
Em minha segunda visita a Vila Brás, conversei com as pessoas que foram atingidas com a última enchente.
É muito triste ver que muitas delas perderam o pouco que tinham. Mas a cena que ficou marcada na minha memória foi da menininha abaixo. A imagem foi registrada pela colega Daniela Lopes.
A guriazinha fez de tudo para chamar nossa atenção, pelo jeito ela gosta de tirar fotos. Enquanto eu pegava as informações com os pais dela, os moradores Marco Aurélio e Vanderléia Ferreira, ela olhava fixamente para a lente da câmera.
2 de out. de 2009
Famílias desabrigadas na Brás
O nível do Rio dos Sinos está estável e sua altura se mantém em 6,3m. Mas a falta de contenção fez com que a água chegasse até a Rua 14, onde caminhões retiraram moradores na quinta-feira, 1º de outubro.
Conforme o tesoureiro da Associação de Moradores da Vila Brás, Luís Machado Soares, atualmente, 12 famílias do bairro, que tiveram suas casas invadidas pela água, não tem para onde ir. Elas estão desabrigadas. "O Gauchinho extravasou e até sexta-feira a tendência é a água subir. Enquanto isso, as famílias desabrigadas ficarão na Associação de Moradores da Brás’’, diz o coordenador da Defesa Civil, Silomar Gomes.
O departamento fez, hoje pela manhã, um sobrevoo sobre a Brás para avaliar a dimensão do problema. Gomes diz ainda que, apesar de a Brás não ter problemas com alagamentos nos períodos de cheias, foi o local da cidade mais atingido por essa enchente. "Retiramos dez famílias e muitas outras saíram por conta própria’’, disse Gomes.
Cestas básicas, material de higiene, cobertores e roupas estão sendo distribuídos para as famílias desabrigadas. A Defesa Civil do Estado repassou 50 kits para São Leopoldo, compostos por colchão, cobertor, travesseiro, acolchoado e fronha.
* com informações do Jornal NH.
30 de set. de 2009
A difícil luta contra as chuvas
Pelo menos quatro das 20 famílias desabrigadas na Vila Brás, em função da cheia provocada pelo Arroio Gauchinho, estão desde domingo na Associação de Moradores da Vila Brás. Ontem eles verificaram a situação e constataram que ainda não é possível voltar. “A água ainda está dentro de casa’’, disse o servente João de Almeida, 22 anos, ao lado da esposa Elisandra de Oliveira. O casal salvou apenas um colchão e alguns cobertores. “Perdemos tudo, não deu tempo de tirar as coisas de casa. A água logo atingiu a altura da cintura’’, contou Elisandra.
Esta foi a segunda vez neste ano em que o açougueiro Josmar Dorneles Duarte, 38, precisou sair de casa junto com a esposa e um filho de 1 ano, por causa da cheia. “Consegui salvar as coisas’’, comentou. Ele e sua família também estão na Associação de Moradores. “Já não tem mais leite para as crianças’’, disse Elisandra. As famílias receberam uma cesta básica da Defesa Civil e estão dividindo as despesas com alimentação.
Como já havia escrito anteriormente aqui no blog, fico a imaginar como devem estar estas pessoas atingidas pelas chuvas dos últimos dias. São moradores que já sofrem com o baixo poder financeiro, e muitos, às vezes, batalham anos e anos para poder dar o mínimo de conforto para sua família viver, e, em minutos, perdem tudo.
Também tenho acompanhado a situação de Santa Catarina, em especial Araranguá, uma das cidades mais atingidas em nosso estado vizinho. O perigo maior é em relação ao rio que leva o mesmo nome da cidade, e, assim como na Vila Brás, os moradores ribeirinhos são de uma classe mais desfavorecida.
Vejo esta parte ribeirinha de Araranguá como uma Brás mais evoluída. São estradas de chão, e algumas ruas estreitas, mas as residências são melhores construídas, sendo em sua maioria casas de alvenaria. Posso até dizer que temos sorte de não ter temporais tão fortes como os que ocorrem em Santa Catarina, pois aí sim o estrago seria muito pior.
Para finalizar, penso que há sim um descaso por parte da prefeitura com estes moradores. Como presenciamos na primeira visita, o cheiro no local é horrível, existem obras não terminadas, como ruas e casas populares, fazendo com que o local pareça ter sido totalmente esquecido, principalmente na Brás III.
Agora, com a mudança de moradores da Vila dos Tocos para a Brás III, em função das obras do Trensurb, espero que algumas melhorias possam ser feitas na região, para que estas pessoas que venham residir na Brás não sejam também esquecidas pelo poder público.
Espero na próxima visita não presenciar uma situação tão ruim, principalmente com todos moradores podendo estar em suas residências, e, como na primeira vez, um belo dia de sol.