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19 de abr. de 2009

Pauta impossível, ainda que desejada

Ao ler o post da colega Daia, constatei que não foi apenas comigo que aconteceu algo interessante, e ao mesmo tempo frustrante, na última visita à Brás. Apesar do que parece e do que viemos publicando, infelizmente, nem tudo é paz e amor na Brás.
Ao realizar, com dois moradores, donos de pequenos comércios na Leopoldo Vazzum, a enquete sobre o que desejavam ver numa próxima edição do enfoque, surpreendi-me com os anseios deles, exigindo mais segurança contra os arrombamentos em suas casas para comprar drogas. Para evitar problemas, expliquei-lhes, de imediato, que infelizmente não seria possível pautarmos o assunto.
Como não pretendo aqui contrariar as ordens, nem complicar as coisas para nenhum dos comerciantes, que obviamente não desejam se identificar, apenas exponho a explicação da vontade de um deles, por ser emblemática.
Uma cabeleireira, bastante chateada, diz que não tem sossego para trabalhar, pois nas próprias palavras dela "É só eu abrir o salão aqui para um sem vergonha ir mexer na minha casa e levar o que a gente conquista suando. Tudo pra comprar crack. E a gente nem pode reclamar. Esses dias até pegaram um guri com uma arma no colégio. Não tenho mais sossego pra deixar meu filho ali enquanto trabalho."
Sei dos riscos óbvios deste tipo de cobertura e, como expus acima, não pretendo escrever nada que passe perto disso, apenas achei interessante dividir com todos, depois de ler o post da Daia.
À propósito, de três questionados, DOIS pediram a mesma cobertura. Apenas um pediu algo que pode ser trabalhado: a falta de esgoto em casas nas ruas mais de baixo (da 24 adiante).