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8 de out. de 2009

Saindo do forno

A mais nova edição do Enfoque Vila Brás tomou forma. Depois da nossa visita à vila, de conhecermos as pessoas que fazem a Brás e que vivem por lá, transformamos as experiências e sensações daquela manhã em um jornal cheio de histórias de vida. Recebi há um minuto o e-mail do Marcelo dizendo que chegou a hora de buscarmos nossos mil exemplares que distribuiremos no dia 17 às pessoas que estão nessas páginas e que nos mostraram um pouco do que são e do que fazem pela comunidade. Amanhã teremos o primeiro jornal do semestre para mostrar aos amigos, colegas e familiares um pouco do trabalho. E, em seguida, é hora de começar a produzir o novo Enfoque, como novas histórias emocionantes e mais trabalho para os repórteres, em busca de pautas pelas ruas da Brás. Já disse Gabriel García Marques que “ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte”. Boas vindas ao nosso primeiro Enfoque e mãos à obra para o próximo, que começa a ser planejado por nós, os apaixonados pelas histórias que são, afinal, a essência do Jornalismo.

6 de set. de 2009

Os poros devem estar sempre abertos

De tudo o que aprendemos a partir da primeira saída à Brás, destaco, por hoje ser domingo, o tema com que abrimos a aula passada.

Ou seja, a necessidade de o jornalista manter seus poros permanentemente abertos para o que for novo, singular, diferente, como forma de emprestar mais amplitude ao seu trabalho.

Quer me parecer que esta percepção tenha ficado clara ao longo dos dias posteriores à saída quando alguns de nós se referiram, em seus posts, ao receio que tinham de ir até a Brás em pleno sábado, temendo sobretudo que fosse uma experiência ruim.

Por que o medo? Basicamente por percepções elaboradas a priori, antes mesmo da vivência em si, que se dissolveram a partir do momento em que passaram a exercer o jornalismo no melhor lugar do mundo para fazê-lo: junto às fontes, onde os acontecimentos têm lugar.

Digo isso porque, em nossa profissão, a realidade, e os eventos que ocorrem nela, usualmente adquirem novos matizes; novas cores, quando vistos de perto.

E não observar os acontecimentos se realizando por pontos de vista pré-concebidos pode significar deixar de lado algo mais que interessante, vivo, portanto passível de bom jornalismo, o que é ruim em muitos sentidos.

Um bom feriado a todos.

4 de set. de 2009

Que discurso social? Mercado ou Cidadania?

Livro DiárioLá na primeira aula, quando o profº Demétrio falou sobre a bibliografia da disciplina, lembrei do livro "Diário Gaúcho: Que Discurso, que responsabilidade social?". A publicação é um conjunto de artigos organizados pelos também professores Pedrinho Guareschi e Osvaldo Biz, e propõe uma análise crítica do discurso apresentado no DG.

Acredito que seja uma boa sugestão de leitura para entender que existem diferenças, não apenas semânticas, mas conceituais quando se fala de "jornalismo popular".

No livro sugerido, o DG é colocado como um produto pensado estritamente pelo viés mercadológico, ao invés de buscar, atráves da linha editorial, uma emancipação político-social das classes menos favorecidas
.

Vale a dica quando nos embrenharmos jornalismo popular a dentro.

29 de ago. de 2009

Uma manhã cheia de surpresas

A manhã de hoje superou minhas expectativas de trabalho. Conheci pessoas incríveis, com histórias de vida surpreendentes e com muitas lições a nos ensinar. Ouvi muito e de tudo. Moradores com problemas que nem passam minha cabeça, pois vivo em outra realidade. Ao ver uma família que convive diariamente com esgoto a céu aberto em seu quintal fiquei com vergonha. Não posso reclamar de nada.
Relatos inspiradores também fizeram parte da tarefa de hoje. Vieram de pessoas que superaram dificuldades econômicas com muito esforço e criatividade, sempre em busca de uma vida melhor para suas famílias.
Em breve, essas e outros relatos estarão nas páginas do Enfoque. Bom trabalho a todos!

Uma manhã digna de nota

A foto aí de cima registra o momento em que a moçada que está trabalhando o Jornal Enfoque Vila Brás neste semestre se preparava para retornar às suas casas, depois de uma ensolarada manhã de sábado à cata de boas matérias.

A julgar pela reunião de pauta que realizamos na noite anterior, e pelo vigor e entusiasmo que todos se dedicaram às suas tarefas, adianto que a primeira edição do Enfoque deste ano, prevista para daqui a três semanas, vai bombar.

O que se viu foi jornalismo de qualidade se realizando desde a etapa de formação, o que fatalmente redundará em (mais) um Enfoque Vila Brás digno de nota para todos que por meio dele dialogam.

Maior orgulho de vocês, galera!

21 de jul. de 2009

SET da PUC já está inscrevendo trabalhos

Notícia do Coletiva.net:

"Estão abertas até 31 de agosto as inscrições para a Mostra Competitiva do 22º SET Universitário, evento promovido pela Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUC. Alunos de cursos superiores de Comunicação e de Cinema e Audiovisual podem participar com trabalhos realizados em atividades curriculares nos semestres de 2008/2 e 2009/1. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site www.pucrs.br/famecos.

O concurso premia os alunos autores dos melhores trabalhos desenvolvidos em atividades acadêmicas e os professores orientadores. As categorias da Mostra são (a) Jornalismo, com 24 subcategorias, (b) Publicidade e Propaganda, com 11 subcategorias, (c) Relações Públicas, com 12 subcategorias, e (d) Cinema e Audiovisual, com cinco subcategorias.

Todos os trabalhos devem ser acompanhados da ficha de inscrição disponível no site, completamente preenchida. Para as peças da categoria Publicidade, é necessário apresentar um briefing de no máximo 15 linhas, conforme detalhamento constante no regulamento. Os filmes da categoria Cinema e Audiovisual precisam de ficha técnica, conforme o modelo disponível no link de inscrições. Os trabalhos podem ser entregues pessoalmente na Famecos ou postados no correio até 31 de agosto.

Desde 1988, o câmpus central da universidade, em Porto Alegre, recebe estudantes provenientes de diversos municípios gaúchos, estados, países do Cone Sul e de Portugal que têm a oportunidade de trocar experiências com professores, pesquisadores e profissionais que atuam fora da academia. Todos buscam sintonia com as tendências da área, além de aprofundar as possibilidades de reflexão e de experimentação. A cada edição, ocorrem palestras, oficinas e a Mostra Competitiva. Em duas décadas, tornou-se uma referência para estudantes e profissionais de todo o país. Em 2009, o SET ocorrerá de 28 a 30 de setembro".

19 de jun. de 2009

Jornalismo sem diploma?

A decisão do STF na quarta feira que estabeleceu a não obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a profissão revolta os estudantes e dá início a uma série de protestos. A pressão dos grandes grupos, que levou a este desfecho, não é nova. Há muito tempo, grandes redes vem utilizando deste expediente para colocar "apadrinhados" como apresentadores.

O problema é que agora fica liberada a prática antes utilizada com restrições e pagamentos de multas em alguns casos. O exemplo mais clássico era Régis Roesing que na época da RBS não tinha diploma e, mesmo assim, a empresa pagava as multas por isso. Se com a obrigatoriedade as empresas já driblavam a lei, agora que a lei permite, acaba a proteção de mercado.

Uma pena, principalmente para quem investiu em um curso superior e agora vê que, apesar de tudo que aprendeu, na prática poderá concorrer com qualquer um na disputa por vagas no mercado de trabalho. Enfim, ainda há muito pano pra manga, mas a decisão quase unânime é, por enquanto, o que temos. É preciso mobilização

Boa sorte a todos!

24 de mai. de 2009

O que você gostaria de ver no Enfoque?

Essa foi a pergunta que eu e a repórter Daiane Benin fizemos aos moradores da Vila Brás, durante nossa última passagem por lá, ainda no início do mês de abril. Como resposta, obtivemos as mais variadas sugestões. Entre os temas recorrentes, destacaram-se questões envolvendo a saúde, educação e obras públicas.

Cláudio Nascimento, proprietário da churrascaria Chuletão, acredita que é necessário fazer uma reportagem sobre políticas de educação para o trânsito. Além de se preocupar com a velocidade que os carros passam pela avenida principal, Cláudio afirma que é preciso ensinar as crianças a transitarem pela calçada. Confira ao lado, na Tevê Enfoque!

22 de mai. de 2009

Muito mais que uma escolha


Mais uma edição do Enfoque está saindo e dentro de uma semana estaremos em reunião de pauta. Vai começar tudo de novo. E para quem decidiu ou ainda vai se decidir por seguir nessa rotina (pauta-rua-redação-edição-diagramação-revisão), vale lembrar: Nós não somos deuses nem donos da verdade. A informação é sim carregada de ideologia, seja onde for. E nem sempre vai ser fácil (já não é) conseguir enxergar a verdadeira realidade na imensidão de tensões complexas que nos cercam.

Alguém aí lembra das aulas de Semiótica? Pois é. Não adianta ir atrás da completa e absoluta objetividade. Ainda que ela exista (e eu acredito), nós, em nossa condição humana e subjetiva, não temos o poder de alcançá-la. Mas tenhamos ao menos a sinceridade de buscar a clareza e expor tantos ângulos quantos nos sejam visíveis. Sejamos éticos; sejamos jornalistas, e decentes.

1 de abr. de 2009

O problema não é o MERCADO

A crítica por mim levantada ao Jornalismo Popular não foi postada no intuito de afirmar que um ou outro tipo de Jornalismo seja mais fácil de fazer, nem que um seja mais mercadológico que o outro. É óbvio que escrever para atrair a atenção dos menos letrados é difícil, assim como é claro que os responsáveis por jornais tradicionais também pensam em vender acima de tudo.

Ao ler o post "Polêmica X Todos são feitos para o Mercado" fiquei com a impressão de não ter sido claro no meu texto e talvez gerado confusões. O que argumentei acerca deste formato jornalístico tem muito mais a ver com o que outra colega traz no post "Será que é Jornalismo Popular?".

A questão é que para escrever algo do tipo, na minha forma de ver, não seria necessário um curso de Jornalismo, pelo menos não como o que cursamos. Os textos populares trabalham (por necessidade) a linguagem de uma forma muito mais básica para que sejam acessíveis a seu público leitor. Assim, mesmo quem não domina amplamente o vocabulário da Língua de Camões pode se atrever a escrever algumas linhas neste formato de "conversa com o povão". Talvez um curso técnico profissionalizante fosse capaz de formar repórteres para tal função, não um curso superior de, no mínimo, 4 anos. Buenas, reitero que essa é apenas a minha opinião. Nada mais, nada menos.

Enfim, na semana em que se discute a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para atuar na área, acho bastante pertinente abrirmos os olhos para o fato de que este formato popular, aliado às facilidades de publicação online podem estar entre os responsáveis por levar alguns leigos, equivocadamente, a acreditar que para ser jornalista não é necessário o diploma.

Hoje é dia de decisão

Deve ser votada hoje a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a obrigatoriedade do diploma. No ano passado, juntamente com outros colegas, professores e jornalistas, participei de uma passeata semelhante à que aconteceu ontem em Porto Alegre.
Felizmente, a manifestação de ontem, organizada mais uma vez pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (foto do Portal 3) parece ter reunido mais participantes do que a do ano anterior.

E não é pra menos. A decisão de hoje pode mudar muitas questões referentes à pratica do jornalismo, às condições de trabalho enfim, à condição de jornalista. Aguardamos, ansiosos, a decisão do STF.

27 de mar. de 2009

Ao estilo Junte e Ganhe

Vocês já pararam pra se perguntar quantas pessoas compram determinado jornal principalmente por causa dos brindes? Naturalmente, eu já tinha reparado na força de promoções como o Junte e Ganhe, do Diário Gaúcho, mas não tinha idéia dos números a respeito.

Aí vai mais uma (de tantas) palhinhas da Márcia Amaral.

"O crescimento dos jornais populares também agitou outro mercado: o de brindes. Há um intercâmbio de empresas de mercados jornalísticos diferentes, que acaba gerando negócios diversos, especialmente com os produtos agregados. Os brindes têm impacto na circulação dos jornais. Para o editor e diretor de redação do Extra, Bruno Thys, os brindes tem o objetivo de fidelizar os leitores. Com eles, sejam panelas, enciclopédias ou cursos, os jornais aumentam a circulação, pagam o custo do brinde e ao final, parte do público fica fiel ao jornal.
No Diário Gaúcho, por exemplo, 30% das pessoas que compram o jornal buscam os presentes, e na avaliação da RBS, sem os brindes, a tiragem teria uma queda de 20%."

25 de mar. de 2009

Polêmica não faz mal a ninguém

Após ler o livro Jornalismo Popular de Márcia Amaral, concluo que, este não é, na maioria dos casos, o formato de publicação que um estudante de jornalismo sonha em praticar. Isso, obviamente, na minha humilde opinião. Sei que há quem pense diferente e respeito sinceramente, apenas exponho, neste espaço democrático, a forma como percebo as coisas.

Sei do abismo entre sonho e realidade. Sei que um jornalista recém formado, que for atuar como repórter para qualquer veículo, não poderá escolher área de atuação, tipo de jornalismo, nem tampouco o veículo para o qual deseja trabalhar. Tem que pegar o que vier. Mas mesmo assim, a maioria vai parar no jornalismo tradicional mesmo. Vai escrever com LEAD e vai ter que se preocupar com a INFORMAÇÃO acima de tudo.

Ao ler meu texto depois dos ajustes, tive a impressão de estar lendo um texto parecido com os lidos pelo Gugu na Farroupilha. E, confesso, isso não me agradou nem um pouco. Não é assim que pretendo escrever, com todo respeito aos que pensam o contrário. Nem foi assim que aprendemos a escrever durante todo o curso.

Ainda há, por exemplo, outras perguntas que pairam no ar para quem justificar a opção com a falta de escolha dos novatos nos MCMs. E quem não for atuar em veículos estabelecidos? E quem tiver outros planos envolvendo o jornalismo digital, por exemplo? Enfim, são muitas variáveis e o Jornalismo Popular é apenas uma pequena possibilidade para poucos formandos.

Assim, não posso deixar de comentar e, por consequência, polemizar a desconstrução, no Projeto Experimental de Jornalismo Impresso, de tudo que vimos com relação a texto nas outras cadeiras de redação, durante o curso inteiro. Em Rádio e Tele, por exemplo, quem faz a opção por Multimeios, tem nas cadeiras de Projeto uma oportunidade de colocar em prática, de forma conjunta, tudo o que foi aprendido nas cadeiras anteriores.

Demétrio, espero que acolhas o comentário como algo direcionado à Universidade que, na minha opinião, deveria pensar em algo diferente, em formato, para Redação Experimental em Jornal. Algo mais próximo do que a maioria dos recém formados vão enfrentar.

A menos, é claro, que a Unisinos tenha relatórios de colocação de alunos recém formados na mídia que indiquem, por exemplo, que mais de 50% dos alunos caem no Jornalismo Popular quando saem da faculdade. Apenas isto justificaria tal opção na cadeira final de redação para Jornal.

Um abraço e desculpem o tamanho do post.

22 de mar. de 2009

Prévia da inauguração

Sim, neste último sábado estivemos na inauguração da sede da associação da Brás. Rapidamente compartilho com vocês como foi a movimentação antes da oficialização.
Sintam o clima!
Graaaande abraço.


20 de mar. de 2009

Os novos jornais populares

Aí vão dois trechos bacanas do livro da Márcia Amaral, cheios de links pra animar o pessoal:

"O jornalismo dedica-se a produzir conhecimento sobre o cotidiano e os jornais populares dão visibilidade também aos sentimentos das pessoas sobre o mundo, mas não se resumem mais à produção de sensações com matérias policialescas. Atualmente, os jornais preocupam-se com que o leitor tenha um sentimento de pertencer a determinada comunidade, percebendo que o jornal faz parte do seu mundo.

Assim, o sensacionalismo continua existindo, principalmente por intermédio da exacerbação dos relatos, mas é um conceito que não basta porque é generalista e não dá conta de importantes características dos novos jornais populares." (...)

Algumas páginas depois, um parágrafo sobre quais são e onde estão estes jornais:

"Muitos jornais, além do Agora São Paulo e do Extra, voltados ao consumidor de menor poder aquisitivo, surgiram após 1997: Folha de Pernambuco (PE), Primeira Hora (MT), Notícia Agora (ES), Expresso Popular (SP), Diário Gaúcho (RS). Outros mais tradicionais conseguem sobreviver nesse mercado, como é o caso de O Dia (RJ - 1951 até hoje), a Tribuna do Paraná (PR - 1956 até hoje), Jornal da Tarde (SP - fundado em 1966, com recente orientação popular) e Diário do Litoral (SC - 1979 até hoje). Diário de S. Paulo (SP) é o novo nome do tradicional Diário Popular, que entra em seu 123º ano de publicação. Belo Horizonte conta com dois jornais de perfil mais popular: Super Notícia e o Aqui!. O Aqui! foi lançado pelos Diários Associados em 2005 ao preço de R$0,25, destinado às classes C e D. O preço agressivo fez com que o concorrente Super Notícia, da editora O Tempo, editado desde 2002, baixasse seu preço de R$0,50 para R$0,25. É um mercado em expansão. No início de 2006, os Diários Associados lançaram em Brasília o Aqui DF, destinado ao público das cidades-satélites."

Espero que aproveitem os links pra dar uma olhada no que existe Brasil afora. Bom final de semana, pessoal!

19 de mar. de 2009

Era assim no século XIX


Ainda sobre sensacionalismo, ontem me lembrei de um texto de Ben Singer, intitulado Modernidade, hiperestímulo e o início do sensacionalismo popular. Li quando fiz Jornalismo Online I, e selecionei um trecho interessante. A propósito, a imagem é meramente ilustrativa e nenhuma referência tem com este caso, apenas se passam na mesma época. Aí vai:

"O tema distópico dominante na virada do século destacava os terrores do trânsito da cidade grande, em especial com relação aos riscos do bonde elétrico. (...) Jornais sensacionalistas tinham uma predileção particular por imagens de 'instantâneos' de mortes de pedestres. (...).

O espectro de Isaac Bartle penetrou a consciência moderna. Como informou um artigo de 1894 no Newark Daily Advertiser.

Isaac Bartle, um cidadão proeminente de New Brunswick, foi morto instantaneamene na estação da rua do mercado da Ferrovia Pensilvânia nesta manhã. Seu corpo foi tão terrivelmente mutilado que os restos mortais tiveram que ser recolhidos com uma pá e levados embora em uma cesta... Ele foi reduzido a uma massa irreconhecível debaixo das rodas de uma locomotiva de carga pesada. A locomotiva golpeou Mr. Bartle por trás e o arrastou diversos metros ao longo do trilho, mutilando seu corpo de um modo horrível. Praticamente cada osso foi quebrado, a carne feita em pedaços e distribuída ao longo do trilho, e o corpo foi tão completamente dilacerado que as moedas e a faca no bolso das calças foram entortadas ou quebradas, e o talão de cheques, a carteira e os papéis foram despedaçados."

18 de mar. de 2009

O Sensacionalismo na História da imprensa

Para os colegas que ainda não começaram a ler Jornalismo Popular, da Márcia Amaral, aí vai a primeira de algumas palhinhas:


"Para abordar o segmento de jornais destinados a camadas mais pobres da população, é preciso resgatar o rótulo sensacionalista. O livro do jornalista Danilo Angrimani, Espreme que sai sangue, é importante leitura para quem se interessa pelo tema: mostra a história do sensacionalismo e trata dessa linguagem específica que remete ao inconsciente dos consumidores e atende a necessidades psicológicas coletivas. Conforme a pesquisa de Angrimani, o sensacionalismo enraizou-se na imprensa desde os primórdios. Na França do século XIX, os jornais populares de uma página eram conhecidos como canards, termo que significa conto absurdo ou fato não verídico."


"Um jornal que 'brilha para todos', destinado 'aos mecânicos e às massas em geral', era o slogan do jornal americano New York Sun, fundado em 1833, que custava um centavo - ou um penny. Surge daí a expressão penny press. O tédio dos jornais tradicionais foi substituído por notícias sobre assassinatos, incêndios, suicídios e distúrbios de rua. Se antes a imprensa era destinada às classes mais abastadas, o Sun passou a atender um público leitor que buscava informações ligadas ao seu cotidiano, relacionadas a dramas de pessoas comuns, a polícia e ao dia-a-dia nos parlamentos. Todos os episódios sensacionais do cotidiano eram relatados extensamente para assegurar a fidelidade do público."


Fica a dica.

13 de mar. de 2009

Para não perder a ternura jamais

O que tenho aqui não se trata exatamente de jornalismo popular, mas fala dessa paixão que nos faz encarar tudo e mais um pouquinho.

Sobre o alucinado ofício do jornalismo

"Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade.

Ninguém que não a tenha sofrido pode imaginar essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida.

Ninguém que não a tenha vivido pode conceber, sequer, o que é essa palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo das primícias, a demolição moral do fracasso.

Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

(Gabriel García Márquez)

9 de mar. de 2009

As surpresas da Vila

Incrível como às vezes algumas situações nos surpreendem de maneira especial. Para mim, a nossa primeira saída a campo foi justamente isso: uma bela surpresa. Lendo o texto da colega Carol cheguei à conclusão de que ainda temos sim muito preconceito com a vila, com os "pobres", enfim, com os que são diferentes. Mas isso não significa que a culpa seja nossa. Afinal, a mídia, por exemplo, não nos prepara para enfrentar o novo, o desigual. Na nossa ida à Vila Brás tivemos que nos despir do preconceito e aceitar fazer parte daquele universo. Pelo menos por algumas horas. E não é que foi divertido? E mais do que isso, proveitoso. Acho que todos pudemos aprender um pouco enquanto exercitávamos a arte de fazer jornalismo. Eu, com certeza, aprendi muito com esses meninos aí embaixo:


Mesmo em contato com a pobreza, com a violência e com a morte, eles são tão dóceis como qualquer criança dessa idade deve ser. A expotaneidade e a receptividade deles com certeza me surpreendeu. O Enfoque Vila Brás representa isso: mais do que um exercício de jornalismo, um exercício de cidadania e de humanidade.