Conhecendo a história do empresário Miguel Jorge Filho, que há poucos meses abriu uma floricultura na Vila Brás, lembrei de um filme muito bom que assisti recentemente. Não que uma história seja exatamente à outra. Muito pelo contrário. Contudo, existem semelhanças que permitem fazer, sim, uma breve analogia.
Trata-se do longa-metragem uruguaio “El baño del papa” (2007), que narra o drama de Beto (César Troncoso) e sua família. Em 1988, o Papa João Paulo II visitou a humilde cidade de Melo, no Uruguai. Diferente da maioria dos moradores locais, Beto tem a idéia de construir um banheiro coletivo para o uso dos visitantes.
Referi que a história do seu Miguel me lembrou o filme porque, assim como o personagem principal da película, Miguel também “nadou contra a maré” e, ao invés de abrir um boteco, igreja ou bazar (estabelecimentos comerciais que mais se desenvolvem na Brás), decidiu investir num outro ramo de atividade.
Mas as semelhanças não param por aí. Por isso, não deixe de conferir a reportagem que eu e a colega Daiane Benin fizemos – e que estará disponível na próxima edição do Enfoque. Depois de ler a reportagem, fica o convite para você também assistir o filme em questão. Vale a pena conferir ambas as sugestões!
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12 de jun. de 2009
Dica de filme
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Bruno Alencastro
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2 de abr. de 2009
O olhar insubordinado
Pessoal, quem ainda não o fez, sugiro a leitura do livro "A vida que ninguém vê" (Arquipélado Editorial, 2006), de Eliane Brum, ex-Zero Hora, atual Época. Textos a respeito de gente absolutamente comum, como as que encontramos na Brás por ocasião de nossas saídas a campo, cujas vidas usualmente não seriam notícia de jornal, salvo em ocasião de tragédias ou violência. Mas que se transformam em matéria jornalística de qualidade quando o olhar do repórter se despe de preconceitos e resolve olhá-las com a devida atenção e respeito, o que exige domínio técnico/estilístico para muito além do lead, além da compreensão do local onde se está escrevendo.Reproduzo dois trechos, por relevantes, do texto escrito pela autora ao final do livro, intitulado "Sobre a melhor profissão do mundo":
"Sempre gostei das histórias pequenas. Das que se repetem, das que pertencem à gente comum. Das desimportantes. O oposto, portanto, do jornalismo clássico. Usando o clichê da reportagem, eu sempre me interessei mais pelo cachorro que morde o homem do que pelo homem que morde o cachorro - embora ache que esta seria uma história e tanto. O que este olhar desvela é que o ordinário da vida é estraordinário. E o que a rotina faz com a gente é encobrir esta verdade, fazendo com que o milagre do que cada vida é se torne banal." (pág. 191)
"Olhar dá medo porque é risco. Se estivermos realmente decididos a enxergar não sabemos o que vamos ver. Quando saio da redação, tenho uma idéia de para onde devo olhar e o que pretendo buscar, mas é uma idéia aberta, suficiente apenas para partir. Tenho pena dos repórteres das teses prontas, que saem não com blocos, mas com planilhas para preencher aspas predeterminadas. Donos apenas da ilusão de que a vida pode ser domesticada, classificada e encaixotada em parágrafos seguros. Tudo o que somos de melhor é resultado do espanto. Como prescindir da possibilidade de se espantar? O melhor de ir para a rua espiar o mundo é que não sabemos o que vamos encontrar. Essa é a graça maior de ser repórter. (Essa é a graça de ser gente.) (Pág. 193)
O prefácio de "A vida que ninguém vê" é de Marcelo Rech. Ricardo Kotscho assina o posfácio.
Abraço a todos.
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Demétrio de Azeredo Soster
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11:46
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