21 de jul de 2009

SET da PUC já está inscrevendo trabalhos

Notícia do Coletiva.net:

"Estão abertas até 31 de agosto as inscrições para a Mostra Competitiva do 22º SET Universitário, evento promovido pela Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUC. Alunos de cursos superiores de Comunicação e de Cinema e Audiovisual podem participar com trabalhos realizados em atividades curriculares nos semestres de 2008/2 e 2009/1. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site www.pucrs.br/famecos.

O concurso premia os alunos autores dos melhores trabalhos desenvolvidos em atividades acadêmicas e os professores orientadores. As categorias da Mostra são (a) Jornalismo, com 24 subcategorias, (b) Publicidade e Propaganda, com 11 subcategorias, (c) Relações Públicas, com 12 subcategorias, e (d) Cinema e Audiovisual, com cinco subcategorias.

Todos os trabalhos devem ser acompanhados da ficha de inscrição disponível no site, completamente preenchida. Para as peças da categoria Publicidade, é necessário apresentar um briefing de no máximo 15 linhas, conforme detalhamento constante no regulamento. Os filmes da categoria Cinema e Audiovisual precisam de ficha técnica, conforme o modelo disponível no link de inscrições. Os trabalhos podem ser entregues pessoalmente na Famecos ou postados no correio até 31 de agosto.

Desde 1988, o câmpus central da universidade, em Porto Alegre, recebe estudantes provenientes de diversos municípios gaúchos, estados, países do Cone Sul e de Portugal que têm a oportunidade de trocar experiências com professores, pesquisadores e profissionais que atuam fora da academia. Todos buscam sintonia com as tendências da área, além de aprofundar as possibilidades de reflexão e de experimentação. A cada edição, ocorrem palestras, oficinas e a Mostra Competitiva. Em duas décadas, tornou-se uma referência para estudantes e profissionais de todo o país. Em 2009, o SET ocorrerá de 28 a 30 de setembro".

3 de jul de 2009

Logros e logrados

O texto aí debaixo é de Juremir Machado da Silva, colunista do Correio do Povo, professor e pesquisador pelo PUC de Porto Alegre. Leiam. É importante:

"O meu espírito é anarquista por natureza. Por mim, no extremo, fazendo caricatura, só profissões capazes de realmente colocar em risco a vida de um a pessoa, como medicina, deveriam exigir um diploma universitário específico. Mas isso é um sofisma bem ao gosto do raciocínio de mesa de bar. Conversa fiada. Universidade é cultura, experiência de vida, leitura, reflexão, espaço de discussão, descoberta do mundo, construção de imaginário. Faz o cérebro funcionar. Quando eu ouço um jornalista dizer que passou quatro anos na faculdade e não aprendeu nada, sou categórico: o problema não é da faculdade. Por pior que ela seja. É do cara que diz uma asneira dessas. Só tem duas explicações: ele é burro ou é burro. Ou é burro intelectualmente, incapaz de aprender, ou é burro emocional, cego para as oportunidades.

Claro, o sujeito pode ser gênio. Jamais conheci um. Nem Jean Baudrillard, Jean-François Lyotard e Jacques Derrida, com quem aprendi muito e achava assombrosamente inteligentes. Nem, para ficar em vivos universalmente conhecidos, Umberto Eco e Edgar Morin. Tenho encontrado muitas pessoas inteligentes. Todas dizem que aprenderam bastante na universidade e souberam continuar aprendendo por conta própria. Eu não tenho complexos. Estou bem satisfeito com a minha inteligência. Aprendi muito na Faculdade de Comunicação e História da PUC. Aprendi muito no curso de Antropologia da Ufrgs (terminou mal). Aprendi muito na Aliança Francesa em Paris, no Instituto Goethe, em Berlim (já esqueci), na Sorbonne, com Michel Maffesoli, no Colégio da França, onde segui as aulas de Pierre Bourdieu e Umberto Eco, na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, com Derrida e Castoriadis.

Aprendi muito nesses lugares. Mas meus primeiros e decisivos aprendizados foram na Famecos, onde hoje me orgulho de ser professor. Aprendi e vi meus colegas aprenderem. Entramos todos meio toscos e saímos, em geral, muito melhores. Nas humanidades, onde se insere o jornalismo, o fundamental é o espaço de efervescência. Nada mais patético, quase sempre, do que ler opiniões sobre educação e ciência de jornalistas que desprezam a academia. São opiniões positivistas, anacrônicas, retrógradas, pré-Eistein (ia dizer pré-Popper, mas isso os obrigaria a uma corrida para o Google), baseadas num 'conteudismo' primário do tipo saber na ponta da língua a capital do Casaquistão ou se lembrar do valor do pi.

Cursos de jornalismo em empresas muitas vezes descambam para isso. Em Porto Alegre, já se teve cursos de empresa com o pessoal de uma entidade ultraconservadora europeia. Os guris não ficavam melhores como jornalistas, mas se tornavam reacionários e vestiam para sempre a camiseta dos patrões. Uma boa faculdade de Jornalismo deve ensinar a fazer o jornalismo global provinciano. Mas, acima de tudo, deve criar condições para se discutir esse jornalismo rasteiro e arrogante. Enfim, graças à Famecos, eu descobri um mundo novo de teoria, prática e autores. E reaprendi a escrever. Vai ver que, para um idiota como eu, uma faculdade faz bem".